quarta-feira, 12 de junho de 2013

Vamos acordar nossa criança interior?


O Andarilho leu no final do ano passado nos jornais que no mês de novembro  de 2012 foi escolhido o novo papa da Igreja Católica Ortodoxa Copta. Seus seguidores são conhecidos como cristão coptas e tal religião é seguida por cerca de 10% da população egípcia. Mas o que quero sublinhar é a forma como se dá esta escolha papal. Após um Concílio entre seus líderes, no qual são indicados 3 (três) nomes, estes são colocados, cada um em um papel, em um cesto e uma criança com os olhos vendados retira o papelzinho que indica o novo Papa de tal religião. A justificativa dos seus religiosos por tal processo de escolha é que tal ato reflete a não influência do mundo material na escolha de seu líder. Eu iria mais longe e afirmaria ainda que tal ato deve ser um exemplo para o mundo de hoje, onde os interesses econômicos, financeiros e de outras ordens prevalecem sobre os valores éticos e sociais. E a criança, símbolo da franqueza, ingenuidade e sentimentalismo, ao ser responsável por uma escolha de tal envergadura, simboliza um retorno a um mundo menos mesquinho e com mais escrúpulos.



Tal retorno é como uma volta à nossas próprias origens, às nossas próprias infâncias. A volta a um mundo em que a brincadeira substitui a guerra, em que as brigas acabam com um abraço e sem mágoas. Um mundo em que as travessuras são sadias e os seus castigos se resumem a palmadas no bumbum ou uma semana sem ver televisão. Um mundo em que chorar e rir faz parte do dia a dia. Em que nossa sensibilidade está à flor da pele. Em que o sensorial se faz presente. E não um mundo robotizado, mecanizado como o de hoje, em que as emoções são relegadas a um segundo plano como se estivessem na Segunda Divisão das qualidades, enquanto a Razão é a única e eterna campeã sob essa ótica. Razão esta que aliada a interesses econômicos, políticos, entre outros, nos trouxe a este mundo de poluição, de aquecimento global, de destruição das florestas, de profundas desigualdades sociais, de miséria e fome de parte da população, de proliferação do uso das drogas, etc.


Portanto, o garoto copta, ao realizar o simples ato de sortear o nome do novo papa copta em 2012 não só faz uma religião conhecer seu novo líder, mas mais do que isso, nos faz também refletir como tão diferente e melhor seria nosso mundo se todas as decisões importantes para a humanidade fossem tomadas com a franqueza, a ingenuidade e o sentimentalismo de uma criança. Criança essa que todos nós fomos um dia e se encontra adormecida no nosso interior. Só falta despertá-la para que tenhamos um mundo melhor. E então? Vamos acordar nossa criança interior?

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