O Andarilho leu no final do ano passado nos jornais que
no mês de novembro de 2012 foi escolhido o novo papa da Igreja Católica
Ortodoxa Copta. Seus seguidores são conhecidos como cristão coptas
e tal religião é seguida por cerca de 10% da população egípcia.
Mas o que quero sublinhar é a forma como se dá esta escolha papal.
Após um Concílio entre seus líderes, no qual são indicados 3
(três) nomes, estes são colocados, cada um em um papel, em um cesto
e uma criança com os olhos vendados retira o papelzinho que indica o
novo Papa de tal religião. A justificativa dos seus religiosos por
tal processo de escolha é que tal ato reflete a não influência do
mundo material na escolha de seu líder. Eu iria mais longe e
afirmaria ainda que tal ato deve ser um exemplo para o mundo de hoje,
onde os interesses econômicos, financeiros e de outras ordens
prevalecem sobre os valores éticos e sociais. E a criança, símbolo
da franqueza, ingenuidade e sentimentalismo, ao ser responsável por
uma escolha de tal envergadura, simboliza um retorno a um mundo menos
mesquinho e com mais escrúpulos.
Tal retorno é como uma
volta à nossas próprias origens, às nossas próprias infâncias. A
volta a um mundo em que a brincadeira substitui a guerra, em que as
brigas acabam com um abraço e sem mágoas. Um mundo em que as
travessuras são sadias e os seus castigos se resumem a palmadas no
bumbum ou uma semana sem ver televisão. Um mundo em que chorar e rir
faz parte do dia a dia. Em que nossa sensibilidade está à flor da
pele. Em que o sensorial se faz presente. E não um mundo robotizado,
mecanizado como o de hoje, em que as emoções são relegadas a um
segundo plano como se estivessem na Segunda Divisão das qualidades,
enquanto a Razão é a única e eterna campeã sob essa ótica. Razão
esta que aliada a interesses econômicos, políticos, entre outros,
nos trouxe a este mundo de poluição, de aquecimento global, de
destruição das florestas, de profundas desigualdades sociais, de
miséria e fome de parte da população, de proliferação do uso das
drogas, etc.
Portanto, o garoto
copta, ao realizar o simples ato de sortear o nome do novo papa copta
em 2012 não só faz uma religião conhecer seu novo líder, mas mais
do que isso, nos faz também refletir como tão diferente e melhor
seria nosso mundo se todas as decisões importantes para a humanidade
fossem tomadas com a franqueza, a ingenuidade e o sentimentalismo de
uma criança. Criança essa que todos nós fomos um dia e se encontra
adormecida no nosso interior. Só falta despertá-la para que
tenhamos um mundo melhor. E então? Vamos acordar nossa criança
interior?

