terça-feira, 13 de setembro de 2011

Não quero


Hoje não quero escrever sobre a mulher que foi queimada a ferro e fogo pelo ex-marido no Rio de Janeiro. Não quero falar do caso da juíza assassinada em Niterói. Não quero abordar a nossa polícia corrupta. Não quero me chocar com a menor de 13 anos que matou a irmã de 15 anos em Arraial do Cabo. Não quero teclar da tragédia das chuvas que se repete a cada ano em Santa Catarina. Nem muito menos das queimadas que devastam o Cerrado do Planalto Central e as matas nativas do interior de Minas Gerais. Não quero discutir acerca da absurda e oportunista idéia da volta da CPMF. Não quero me irritar com as autoridades ao ver menores de rua dormindo sobre papelões e tendo o céu como seu teto em pleno coração do Rio de Janeiro. Não quero chorar com o abandono dos hospitais públicos. Não quero rir para não chorar da situação da educação pública no nosso país. Não quero dar um soco na porta do meu quarto de raiva ao saber que a Justiça Brasileira resolveu “abrir as pernas”, para não dizer outra coisa, para os supersalários do Senado e da Câmara.

O que eu quero hoje é colocar a cabeça no travesseiro e sonhar, nem que seja por uma única noite, que a Minha terra tem palmeiras, onde canta o Sabiá”.