
Há mais de 17 anos, o Botafogo de Futebol e Regatas é meu dia-a-dia. É o meu vício. Um vício saudável e ao mesmo tempo também não. Saudável porque não é um vício como a bebida, o cigarro, as drogas... Porém, nem tanto, porque se eu não tivesse um coração forte não estaria vivo até hoje.
Eu, ao contrário de muitos torcedores mais veteranos, não tive a sorte de pegar os tempos de Garrincha, Nilton Santos, Carlos Alberto Torres, Gérson, Manga, Jairzinho, Amarildo e de tantos outros craques que povoam a história gloriosa do Botafogo de Futebol e Regatas. Porém, ainda pequeno, com 7 anos de idade, lembro perfeitamente de ver na TV da sala o Botafogo quebrar o jejum de 21 anos sem títulos. Eu, ainda criança, logicamente não tinha a noção da grandeza e importância de tamanha conquista.
O meu primeiro título in loco, foi a Conmebol, em 1993, em que vencemos o Peñarol do Uruguai na final, nos pênaltis, com William Bacana sendo o herói daquela noite inesquecível, em um Maracanã repleto de alvinegros. Entre milhares de alvinegros estava eu, com meus 11 anos de idade. E assim, nesses últimos 17 anos, vivi muitíssimas alegrias, com a conquista inesquecível de 1995, dos Cariocas de 1997 e 2006, do Torneio Rio – São Paulo em 1998 e 2000, do Campeonato Municipal de 1996, da Taça Teresa Herrera, também de 1996, até chegar agora ao título de Campeão Carioca de 2010.
E confesso a vocês que todos meus fantasmas, medos e temores de torcedor ficaram pelo caminho nesse dia histórico de 18 de abril de 2010. Ah, dia 18, que na numerologia tem valor de número 9, meu eterno número da sorte. E estava escrito que com um time de guerreiros como o da Conmebol de 1993 voltaríamos ao lugar mais alto do pódio. Lugar este que nos foi tirado nos últimos anos por juízes mal intencionados, por uma certa bandeirinha em campanha para posar na Playboy, pela fla-prensa... Mas, em 2010 a história foi diferente. Sobressaiu a raça argentina de Herrera, a frieza uruguaia de El Loco, os reflexos salvadores de Jefferson, o talismã Caio e a estrela vencedora de Joel Santana!!!
Por isso vos digo que ser Botafogo é meu único e abençoado vício. O Botafogo é como a vida!!! Nada vem fácil para o Botafogo, assim como não se conquista nada na vida sem sofrimento, suor e lágrimas. Lágrimas estas que vi numa torcedora especial, a qual não preciso citar aqui. Lágrimas que me comoveram, que me fizeram reviver esses 17 anos de arquibancadas, seja as do Caio Martins, do Estádio Luso-Brasileiro (Ilha do Governador), do Engenhão, do Maracanã, de São Januário, de Édson Passos e de tantos outros estádios afora que me aventurei para ir torcer pelo Fogão. Matei aulas, perdi madrugadas tentando pegar ônibus na volta pra casa, passei por situações difíceis, me envolvi involuntariamente em confusões com torcidas e polícia, vi o Botafogo ir do inferno ao céu. Estava no Caio Martins quando caímos para a Segunda Divisão, naquele fatídico jogo contra o São Paulo, no fim de 2003. Me revoltei, tentei invadir o vestiário, chorei... Depois, acompanhei toda a peregrinação da Série B, indo ao Caio Martins em noites chuvosas de sexta-feira ou tardes quentes de sábado. Passei pelo tri vice, pela roubalheira da bandeirinha Ana Paula de Oliveira na Copa do Brasil de 2007, pelas humilhações impostas por uma imprensa totalmente parcial.
Mas só posso dizer uma coisa: se tivesse que passar por tudo isso de novo para ver as lágrimas de felicidade de uma botafoguense comemorando seu primeiro título no Maracanã, eu passaria mil vezes.
Obrigado Botafogo por tudo isso!!! Muito obrigado, meu Botafogo!!! És meu eterno vício, assim como já estão eternizadas na minha mente e no meu coração as lágrimas de felicidade no rosto de uma linda jovem alvinegra na tarde inolvidável de 18 de abril de 2010!!!
Isso sim é Botafogo!!!